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GESTÃO DEMOCRÁTICA NO ÂMBITO ESCOLAR:Possibilidades e Desafios...continuação
Este é um processo que se constrói. Não existe, a priori, uma receita, um jeito de se convocar ou convidar as pessoas para a partilha das decisões. O Conselho de Escola pode ser um grande ganho, mas também tem que passar por aprendizagens sucessivas de escuta do todo. Um desafio, pois é a escuta. Saber ouvir é um dos saberes que nos lembra Paulo Freire. A essência da Gestão Democrática está em fazer com as pessoas que estão conosco num determinado tempo e lugar, respondendo às suas necessidades e ansiedades. Na expressão de Paro: “se falamos em Gestão Democrática da escola, parece-me já estar necessariamente implícita a participação da população em tal processo”. O que nos faz concluir que não será democrática a gestão que exclui a sua comunidade da participação. O diretor é o coordenador de todas as ações nesse espaço e lugar específicos. É essencial que tenha clareza desse fazer com para que não caia em situações que o façam tomar atitudes caracterizadas pelo fazer para ou numa postura de deixar fazer e menos ainda fazer contra. Não é igualmente um mero executor das ordens de colegiados. Reiteramos, o diretor no processo democrático de gestão da unidade escolar deve ser um articulador dos diferentes interesses dos segmentos, visando a movimentos coordenados que possam refletir numa realização satisfatória das necessidades apresentadas. Fundamentalmente, a Gesto Democrática é essa ação que se dá com os parceiros, sendo imperativa a relação prática-teoria-prática, a práxis. Dicotomizar “o pensar” e “o agir” reforçam a distância entre “chefe” e “subordinado”, onde o primeiro pensa e arquiteta e o segundo executa. Da mesma forma que as relações da escola com outros órgãos acabam por transformar estes em “planejadores” e as pessoas da escola em “executores”. Para a sobrevivência da Gestão Democrática é necessário uma relação mais dinâmica entre o “superior” e o “subordinado”, “o pensamento” e “ação” e “a teoria e a prática”. O diretor não é descartado. Ele só não é o único que pensa, portanto o único que sabe. Por ser “chefe” não é o absoluto dono da verdade e das decisões. Tem sim uma tarefa diretiva e coordenadora, mas não dirige e nem coordena para o “seu norte”, mas em uma direção debatida, discutida, comentada com o grupo sob sua coordenação. Cabe ressaltar e importante, é fundamental que se saiba quem é o diretor e que esse faça o uso legítimo da sua autoridade para a preservação da liberdade individual e coletiva. Lembrando mais uma vez Freire: é fundamental a coexistência da Autoridade e da Liberdade. Esses dois pontos, aparentemente contraditórios, no entanto, complementares, alimentam a necessária tensão para uma existência democrática.
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