CRIANÇA: SUJEITO DO PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃOProf. Ms. Maria de Lourdes Granato Almeida
Os altos índices de fracasso escolar têm motivado muitos educadores a buscar alternativas que possam mudar essa triste realidade. Cada "ousadia" neste sentido deve ser devidamente propagada, não como receita pronta e acabada, mas como estímulo às outras iniciativas. Hoje existe um universo relativamente vasto de métodos, técnicas e recursos que em tese dariam conta da alfabetização, porém vários outros fatores exercem influência direta no sucesso escolar de uma criança. Teoricamente a alfabetização está conquistada, na prática ainda há uma grande distância a ser percorrida, para que todas as crianças a ela tenham acesso. Não é por acaso que crianças das camadas mais exploradas da população sejam as mais atingidas e estejam fadadas a engrossar a estatística dos fracassados. Alfabetização não acontece ou, pelo menos, não deve acontecer num "vazio pedagógico". E condição básica dar significado ao ler e ao escrever, explorando o vivido com um "peso epistemológico" que necessariamente envolve aluno e professor. Entender o contexto social e partir dele vai contribuir muito para que se trabalhe com a criança e não para a criança. É preciso ter cuidado para não se trabalhar contra a criança, ponto-chave razão do insucesso. Ouso dizer que muitas crianças não aprendem por faltar quem se interesse por elas. E mais, quem aposte na sua aprendizagem. É urgente acreditar que toda criança, salvo algum comprometimento maior, tem condições de uma alfabetização com sucesso. O respeito à criança, às suas condições de vida e às suas experiências não pode ser visto com conformismo e licenciosidade pelo educador. Respeitar o outro não é alienar-se em relação a este. Respeitar é entender o outro e partir para conquistar os objetivos propostos em situações que visem a superação das dificuldades apresentadas. Lembrando Paulo Freire: "O que não é possível é o desrespeito ao saber de senso comum; o que não é possível é tentar superá-Io sem, partindo dele, passar por ele. (Freire, 1992:84). O trabalho com crianças deve ser construído conforme a caminhada se desenvolva, com base no tripé: referenciais teóricos; multiprofissionais em diálogo constante; e as respostas e questionamentos feitos pela criança, que de fato é quem deve dar o tom, a cor, o brilho à caminhada que se desenrola. A criança deve ser "sujeito do processo" e não "objeto de experiências". A criança tem que ter voz e vez. Pode e deve mostrar-se sem ser tolhida e principalmente deve ser vista pelo educador como "pensante", capaz de produzir o trabalho que vai decidir a trajetória da construção. Sem imposição e coerção pode-se criar a partir da necessidade, pode-se dar sentido ao trabalho, descobrir o concreto objetivo daquilo que se faz. Como diz Freinet: "Ninguém gosta 'de trabalhar sem objetivo, atuar como máquina, sujeitando-se a rotinas nas quais não participa". (Freinet, 1989:154). Todo educador deve ter presente o desafio de construir junto com as crianças um sentido para o convívio escolar, tal como a professora Lúcia Toralles expressa em seu trabalho: "Histórias de crianças: uma experiência com arte e alfabetização". |